Protesto SP: Policia, Governo e Violência

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Não assisto TV com freqüência brasileira, mas estou sempre presente na internet e nessa semana deparei com os protestos contra o aumento da tarifa dos transportes públicos não só em São Paulo, como no Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. Meu foco é a terra da garoa na qual ando pelas ruas a mais de dezoito anos e nunca presenciei tamanha ação/repressão.

Na terça feira o que vi acontecer consistiu em uma manifestação pacifica, pessoas lutando por direito, por algo abusivo no caso a tarifa dos transportes públicos, gritavam seus bordões e mostravam a que veio. A Polícia Militar acompanhando, pessoas protestando, conversando entre si, propondo soluções, e claro havia também no meio disso tudo os indesejáveis que fizeram o caos acontecer no fim da manifestação, quando muitos já haviam ido embora e quando chegaram às suas casas não acreditavam. Leiam este relato. O fato é: algo bacana finalmente acontece, o brasileiro foi às ruas, e no fim uma minoria começou algo que até agora está repercutindo. Qual a conseqüência? Violência, mas dada as circunstâncias não reclamo da policia intervir, como quer ter razão em algo se você não estava ali querendo saber se algo realmente ia mudar, se algo realmente ia acontecer, quando a sua intenção era apenas usar mascaras, vestir preto, pixar ônibus e o pior depredá-los e até queimá-los.

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Nesse mesmo dia, eu não aceitava o fato das pessoas pensarem nas empresas de ônibus como algo público, estarem prestando um favor, quando na verdade a empresa é privada, ou seja, empresários buscam lucro e isso não é errado ainda mais quando o reajuste não acontece durante dois anos. Quem aprova é o nosso amado governo que está sempre envolvido em escândalos e deixamos passar como se nada tivesse acontecido. Terminando, o lugar certo de ir buscar respostas e ir falar grosso é nos gabinetes, na prefeitura, cara a cara com o governo.

Outro fato que não me desce é esse negócio de “Passe livre”, não é possível que as pessoas levem a serio. O transporte é publico? Sim. Porque pagamos? Pagamos para ter algo decente. E porque é ruim? Isso quem responde é o governo e como já disse, onde devíamos realmente estar batendo na porta. O país perfeito é aquele que o cidadão opta por decisão própria utilizar o transporte publico do que o carro, mas não justifica não pagar por ele. Somos traídos no quesito qualidade, mas não é motivo para querer que o governo banque o transporte porque imagina no que se transformaria.

Tem também a questão da roda do bar em que sempre um argumenta: “é só vinte centavos, amigo”. Vinte centavos pra uma família que paga a condução ida e volta todos os dias, não é pouca coisa. O intrigante é aumentar e não vermos mudanças satisfatórias no transporte.

Agora, na quinta feira foi diferente, foi o dia no qual mudei boa parte do meu pensamento que relatei a cima, o protesto aconteceu, sim, porém vimos outro lado. A violência agora veio do outro lado, com o povo na rua apenas querendo seus direitos como no inicio do primeiro dia, mas surpreendidos por uma ação mais robusta do lado da Policia Militar. No entanto, gostaria que fosse apenas as formalidades, mas atirar bombas de gás lacrimogêneo em pessoas que só estavam gritando “sem violência” é no mínimo surreal. Policial quebrando o próprio vidro do carro, queimando uma barricada, ou seja, forjando material a mídia.  Que também mostrou-se incapaz de não ser nada além de mídia, controladora e sensacionalista. A Veja, por exemplo, com a manchete: “Passe Livre: A Marcha do Vandalismo”. A folha que em determinado momento estava apoiando a policia, e quando teve seus jornalistas feridos mudou totalmente a visão. Jornalistas (não somente os da folha) também que sempre surpreendem em situações de risco com total despreparo.

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A questão agora não se trata mais dos vinte centavos, do transporte, do tumulto. Passa-se a ser: como uma instituição “preparada’ e “treinada” como a Policia Militar de São Paulo, pode submeter-se a tamanha vergonha como essa passada nessa quinta-feira, instituição essa que devia ter como lema “Segurança da população, em qualquer situação”. Essa é a questão que tem que ser discutida agora em diante, eu cidadão não posso exercer um direito de expressar-me que serei tratado com violência e talvez até acusado de algo que não fiz? Com os fatos na mesa, diria que sim.

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Por conseguinte, digo que o brasileiro erra precocemente quando vota no cara com a propaganda mais engraçada do horário político, não estamos sabendo lidar com algo que antepassados lutaram para que nossa geração dormisse em paz – o voto. O mesmo que quando utilizado com sabedoria, gera o dever do cidadão reclamar quando não está acontecendo como haviam prometido. Nessas horas não vamos às ruas, nessas horas estamos na padaria rindo de nós mesmos. Quando políticos roubam e esse roubo é veiculado em toda forma de comunicação e anos depois ele volta ao governo, algo está mais que errado, e lá estamos nós rindo das nossas caras na padaria. Mas ai quando vemos o dinheiro saindo do nosso bolso, por mais que sejam vinte centavos, resolvemos fazer algo e isso não é ruim, é ótimo. Só que temos que fazer algo também quando os escândalos vêm à tona, e no lugar certo chamado governo é lá que os problemas acontecem. Enquanto estivermos no nosso direito, sem violência por parte da população podemos ocupar essas ruas e reivindicar, e que venha mais ações como essa pois no momento se quisermos algo temos que parar o lucro do governo, e mostrar-lhes que o dinheiro deles vem do nosso que é muito mais suado. E nada de fechar olhos na copa, porque, Neymar não tá com essa bola toda.

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Imagens: Terra e Globo

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