Lollapalooza Brasil: Impressões, sugestões e reclamações

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A pouco mais de um ano, contemplava no Jockey Club de São Paulo a primeira edição do Lollapalooza isso não é novidade, e naquele festival não tivemos a chuva, mas tivemos muito mais pessoas tivemos apenas dois dias de festival, porém, uma line-up muito mais organizada e bem feita. Então, esqueça o que leu porque estou aqui pra dizer o que achamos da segunda edição do Lollapalooza Brasil.

Como de costume, não curto o festival todos os dias ou por falta de verba ou porque a line-up não vale a pena. Foi o caso do ano passado com Arctic Monkeys, e esse ano com Pearl Jam e The Killers. Só sei que a intenção é ir ao dia que mais agrada frisando as bandas, como foi o caso do dia 30/03.

Um lanche rápido na praça de alimentação do Eldorado e fui tirar uma grana no caixa eletrônico e quando a grana ia sair acabou a luz e perdi 40 tostões, e então partimos para o Jockey. Metro rápido, uma caminhada acompanhada pela fala dos cambistas: “Compro e Vendo Ingressos” e vendedores ambulantes: “Capa de chuva é 5, choveu é 20”. E por ai vai. Chegando na porta em torno das 2 horas, totalmente isento de fila, sinalizações e guias totalmente organizados, passa pela revista, confirma o ingresso ganha o mapa e pronto, começa a sentir o cheiro da fazenda.

RODA

Uma volta pelo campo do Jockey para ver o que tínhamos a disposição, alguns desvios de poças de lama e paramos na fila da roda gigante para ter uma vista panorâmica de toda área jogar conversa fora, falar como anda a vida, discutir sobre a F1, tentar adivinhar com quais músicas as bandas iram começar o show, e com qual irão fecha-los. Demorou muito e até que valeu a pena, só que quando descíamos tive que ignorar o Vale Chopp e correr para comer um dogão e tomar algo para enfrentar o frenético Franz Ferdinand. A galera que curtia o fraco Two Door Cinema Club nem esperou acabar para começar a se locomover em direção do palco Butantã onde estaria o Franz Ferdinand, nós nos acomodamos e esperamos.

FRANZ

Franz Ferdinand entrou com uma grande harmonia no palco Butantã no fim da tarde nublada de São Paulo, o público já estava agitado e ansioso esperando o primeiro grande show. Apesar de um bom público estar acompanhando Alabama Shakes no mesmo horário, Franz Ferdinand reuniu um numero muito maior em seu palco, mais do que eu esperava e com um singelo “olá São PauloAlex Kapranos, vocalista do Franz Ferdinand saudou a galera e começou o show com o hit “No You Girls” para delírio das meninas principalmente.

O Franz Ferdinand tocou apresentou algumas de suas novas musicas presentes no novo álbum da banda que está para ser lançado, porém não tem um nome divulgado, mas com as musicas que ouvimos já valerá cada centavo investido nesse disco.

Fora as musicas novas teve as músicas mais tradicionais como “Take Me Out”, “Do Want to You” e “Ulysses” onde a galera pulou mais e ficou mais animada do que as outras, o coro de vozes era notável até pros outros palcos do festival e outras não tão famosas mais que gosto muito como “Can’t Stop Feeling” que eles apresentaram uma versão diferente da reproduzida no álbum de estúdio e principalmente na “Outsiders” onde fizeram o famoso solo de bateria tocado pelos 4 integrantes ao mesmo tempo, com certeza um dos momentos mais fantásticos do show. Franz Ferdinand é definidamente um show, que lhe da prazer em escutar suas músicas e faz você se sentir realizado em estar ali naquele barro molhado do Jockey Club e tendo gastado um dinheiro suado e esperado tanto tempo, o quarteto de Glasgow sabe o que é agradar nossos ouvidos e vê-los pela segunda vez foi ainda melhor. Enfim musica boa não faltou no show, o ruim é que uma banda tão boa como Franz Ferdinand teve tão pouco tempo de apresentação e sua importância para os organizadores do evento, apenas 1h15 de show para quem esperou mais de 1 ano para estar presente nesse show é definitivamente pouco, deu um gosto de “quero mais” e estamos na espera desses caras retornarem a terra da garoa mais uma vez, quem sabe nesse ano mesmo, afinal curtir Franz Ferdinand mais vezes não é nada demais, ao contrario, é épico.

QUEENS

Se gostaríamos de ter um bom lugar no show do Queens of the Stone Age tínhamos que deixar o Franz Ferdinand tocando sua ultima música “This Fire” e ir caminhando em direção ao palco Cidade Jardim e foi o que fizemos, no inicio foi difícil um bom lugar, ficamos no canto esquerdo muito longe, e cada vez buscando um novo espaço mais a frente. Olhando para a multidão a minha volta mal pude ver a entrada dos integrantes da banda, e só fui ver quando começará os arranjos para “Lost Art of Keeping A Secret” e a galera foi ao delírio, com uma playlist fabulosa, fomos cada vez chegando mais próximos do palco, e a galera sempre respondendo bem a cada música e a cada single me passava na cabeça: “ Não acredito que esses caras estão tratando Queens of the Stone Age inferior a “Black Keys” mas era só um devaneio e me via curtindo músicas que pensava que nem tocariam como uma das minhas favoritas “Burn the Witch” mas o realmente impressionante veio depois de todo amor que “Make it wit Chu” proporcionou. Estou falando de uma música do novo trabalho, até então totalmente sigiloso, e “My God is the Sun” fascinou todos e só fizeram pensar: “VEM COISA MUITO BOA PELA FRENTE”! Foi então que atingimos o nível mais alto da música com “Song for the Dead” e a Roda Punk teve sua abertura e nada pensei além de: “Tenho que estar lá” e quando acabou todo mundo só queria mais, muito mais. E foi então que acabou. Cinco minutos do previsto, e a galera totalmente decepcionada, não podendo perder a piada: “Black Keys é o Caralho”!

Meus pés não estavam nem doendo e tudo já tinha passado, pegamos algo para beber, e fomos à loja ver o que nos agradava, compramos uns pôsteres para lembrar. Caminhamos até a multidão que contemplava Criolo Doido, e nos ajeitamos para assistir também, de longe se vê que Criolo já ganhava o espaço e era correspondido, misturando estilos e culturas, trazendo toda a marra do Grajaú. Teve seu auge com “Não existe amor em Sp”, Subirusdoistiozin”, e todas do álbum no na orelha, depois que terminou com “Bogotá” a galera pediu mais uma, e eles voltaram com “Vasilhame” fechando a noite pra música nacional, e me sinto estranho demais em pensar que nesse momento havia pessoas acompanhando A Perfect Circle, mas como dizem por ai, Lollapalooza é o festival em que se tem que abrir mão de algumas coisas para ver outras. Foi o caso da Joan Jett  ano passado.

Esperamos o Black Keys, de longe, pois não é tudo isso. Com uma apresentação um tanto que fraca e abalada por causa da bravura do QOTSA, fizeram a galera pular somente nos melhores hits como: “Little Black Submarines”, “Run Right Black”, “Howlin for you”, “Gold on the Seiling” e “Lonely Boy”. Pra vocês terem uma idéia, o show tava tão empolgante que usamos nossas técnicas aprendidas no decorrer da vida sobre Eletrônica e fizemos a pulseira que a Heineken forneceu ficar acesa eternamente.

Tinha chegado o fim do festival, esse ano muito bem organizado, mas apagado por causa da chuva do dia 29/03 que deixou a lama e mal cheiro para os outros dias, filas pros banheiros grandes, coisa que não vi na primeira edição, colocaram umas duas áreas cobertas para alegria de todos. Creio que o Lollapalooza achou a formula de um ótimo festival, com as distancias dos palcos dá para aproveitar-se tudo, atividades até para as crianças, diversidade musical, mas devem prestar atenção nas grades de programação, porque colocar Franz Ferdinand e Queens of the Stone Age colocados e em palcos totalmente distintos, não é aceitável.  Porém está muito acima de Rock in Rio e SWU. Saindo do Jockey, tinha os ônibus exclusivos que levava para o Anhangabaú, movimento tranqüilo, uma enroscada nas escadarias do metro, após isso a volta pra casa estava mais que tranqüila, e na memória, lembrando o que deveria fazer para recuperar meus R$40 que ficou no caixa eletrônico.

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Lollapalooza Brasil 2014, esperando.

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